Após um longo vôo entre Brasil-Panamá, as pernas já não respondiam aos nossos comandos. As pesadas bolsas equipadas com câmeras fotográficas, filmadora, algumas mudas de roupa, comida e livros castigavam ainda mais as costas que teimavam em doer.
O espanhol já tinha que ser praticado, principalmente quando fomos comprar um cartão que fizesse ligações internacionais. Apesar de ser óbvio que não estávamos em Cuba, era bom avisar aqueles que nos esperavam que iríamos atrasar ainda mais boas horas.
Depois de 2 ligações e US$ 5 dólares a menos em nosso bolsos, sentamos um pouco naqueles desconfortáveis bancos de aeroportos. Os olhos teimavam em fechar mas o medo de perder outro avião era muito maior. O saguão agora parecia pequeno demais e as caras lojas não representavam entretenimento algum.
Esperamos, deitamos, levantamos, sentamos, andamos e finalmente o embarque foi feito.
No vôo entre Panamá e Cuba haviam poucos passageiros de forma que pudemos utilizar três assentos ao invés de apenas um.
Para comemorar a chegada à ilha, comemos uma horrível massa e bebemos um péssimo vinho servido num copo de plástico envolto numa chícara do mesmo material.
Não sei se foi o álcool, se foi o livro que estava lendo ou se foi apenas o cansaço, mas adormeci. Acordei assustada com um aviso do capitão: "Senhores passageiros, estamos sobrevoando o território cubano".